sábado, 10 de maio de 2014
É o que temos para o momento de dia das mães
Eu ando desaparecida daqui, o que significa que me afastei de mim mesma para ter uma perspectiva. Tenho posts para inserir aqui mas por estar peregrinando eles só vão sair do moleskine para o digital quando eu estiver de volta para um lugar que não sei se posso chamar de casa. Mas o assunto não é esse.
Eu não gosto de comemorações coletivas, dia disso ou daquilo, usando o clichê, "é tudo comércio". Porque é mesmo. Mas parece que como castigo, só por isso, vou ter que passar por três dias das mães. Daqui a algumas horas no Brasil é dia das mães. Semana passada passei pelo primeiro. E dia 25 vem outro. Esses são os que eu sei, quiçá tem algum outro no caminho.
Hoje na pausa das andanças, e na cobrança, na pressão e no drama da que é a razão de eu me encaixar na categoria de quem deveria celebrar dia das mães, vim aqui escrever só por rebeldia mesmo. Chove muito e eu já tomei minha cota diária de chuva e obras de arte hoje, posso vir aqui fazer mimimi.
Folguei em observar que muitas amigas (que são minhas amigas também por esse motivo) também odeiam ou odiavam (pelos filhos já terem passado da fase) as festinhas escolares de dia das mães. Outras, as estreantes, cujos presentes da escola ainda são mãozinhas na camiseta, panos de prato, enfim, essas preciosidades, ainda acham tudo lindo, com fotos dos rebentos estampadas pra todo lado e o pobre do pai quando presente tem que cuidar do verdadeiro presente que não seja um eletrodoméstico, para não alongar os dramas.
Eu não gosto de festinha escolar, não sou fã de almoços familiares, apesar de, agora que já há alguns anos que parecem muitos, demais, depois da minha vó ter partido e nos deixado todos órfãos, eles fazerem uma certa falta. Com a minha mãe tenho tudo resolvido, hoje posso estar do outro lado do oceano e falar com ela pelo skype (mãe moderna) que não vai ter drama, sangue, suor e lágrimas. Presente dou quando posso e quando tenho vontade, não preciso de data, e ela sabe que meu amor não se mede com presente.
Já na outra ponta da corda o drama é a palavra de ordem. Eu estou a muitos, muitos quilômetros de distância. E isso caracteriza abandono, na opinião da interessada. Aqui vai então um recado para todos e todas as interessadas: mãe quando pare não deixa de ser humana. Não deixa de ser um ser separado. O cordão umbilical é cortado no nascimento - os dois, o físico e o outro. Mãe ama o(s) filho(s) mais que qualquer coisa, e as únicas pessoas que nos amam incondicionalmente e para sempre são nossos pais. Isso não significa que as únicas mães que têm valor são as mater dolorosa. A igreja, a sociedade estabelecida e outras instituições mais nos convenceram que mãe tem que sofrer. Mas não tem não. A gente sofre quando sofre mesmo, de preocupação, de amor, de querer o melhor, de desejar que o mundo poupe os nossos filhos, mas ao mesmo tempo sabendo que somos meros instrumentos de entrega para o mundo, que faz com eles o que quer. Mas não é obrigatório ser a sofredora. Eu me recuso, assim como tantas outras mães.
Mãe tem vida. E nem por isso deixa de amar filho, isso não acontece nunca. Mãe tem direitos, necessidades e vontades - você tem fome de que? mãe também não quer só comida, ela quer comida, diversão e arte. E sai pra buscar. A menos que o filho seja totalmente dependente dela por qualquer motivo - idade, necessidades especiais, whatever - ela não tem que arrastar nada pelo cordão. Ele foi cortado, ponto. Nem toda mãe faz a mesma coisa. As que querem ser mães full time têm toda minha admiração e respeito. A minha foi, o resultado foi excelente. Eu não sou. O resultado vai ser aquele que a minha cria quiser criar.
Eu não tive dor para parir. Eu marquei um dia, fui lá e cortei a barriga e tirei de dentro. Quer sofrer vinte horas de dor? Acho digno. Respeito e acho que cada um tem a dor que quiser. Eu sou covarde. Nem por isso eu deixo de ser mãe. As mães se fazem, nascem junto com os filhos. Cada um tem a mãe que a ele foi reservada. Eu não atendo expectativas. Eu vou sendo.
Eu pari. E vou me parindo como mãe com o tempo. Dia das mães eu não mereço (nos dois sentidos). E a grande ironia do universo vai me fazer passar por ele três vezes. Acho que foi para eu pensar. Que bom, porque agora ficou claro.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Desafio
Eu não sou de poetar, sou de prosear. No entanto, recebi um desafio de um amigo que tenho há trinta - sim, trinta, sou sortuda mesmo - anos, meu amigo de palavras, de textos, companheiro de trabalhos de faculdade, de chacotas que nos dávamos ao luxo de fazer dos monstros literários que tivemos a honra de ter como professores, de fofocas - porque ninguém é de ferro - mas fofocas do bem, por assim dizer, fofocas no contexto literário, em um saudável ambiente de crítica construtiva, "a nível de" cara de pau da minha muito bem desenvolvida capacidade de enrolar até o mais macaco velho dos catedráticos com blablabla pseudo-pesquisado em época de não-Internet, em que tínhamos que mofar na biblioteca porque os sagrados livros não podiam sair de lá, podiam ser atropelados ao cruzarem a Praça do Relógio. Vou ter que aceitar o desafio cold turkey, nem adianta tentar enrolar, meu amigo conhece minha prosa e qualquer tentativa de enrolação resultaria infrutífera. Além disso eu não sou mulher de fugir de desafio. Aqui vai então, com perdão de quem não nasceu pra coisa.
começamos um
multiplicamos infinitamente
formamos um de novo
começamos a ver outros uns
nos tornamos múltiplos
sem nunca abandonar o um
mas às vezes dele nos perdemos
buscamos outro um
que pode ser outro
e outro
e outro
multiplicamos em dois
mas a busca
ah, a busca
ela tem fim
mas
quero o fim?
um?
ou o mundo?
o verso de um?
ou o universo?
O desafiante entendedor entenderá. E não está sozinho. Mais transparente que eu só a nascente do Rio Tietê nos idos do século passado.
E que fique registrado o perdão aos poetas. Infame, eu sei, mas eu avisei que eu proseio.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Faro
A evolução é uma grande mentira. Os homens continuam com o faro aguçadíssimo. Eu diria mais que os lobos, mais que qualquer animal selvagem. E é ainda mais bonito. A sincronicidade das atitudes dos que pensam com o chamado ancestral resulta muitas vezes em situações hilárias, mas vez por outra, o chamado visceral ainda é fascinante, ainda é de arregalar os olhos quando se presencia. Todas as coisas estão tão delicadamente interligadas que às vezes nem notamos os fios e tropeçamos neles.
Melhor ainda é enredar-se neles, é estabelecer o ídolo e vê-lo transformar-se em humano bem diante dos seus olhos, é descobrir o poder primitivo de Lilith, é aprender a separar o que é uma coisa do que é outra coisa, finalmente, finalmente, finalmente sem drama, sem sangue, sem suor, sem lágrimas, só com: tudo bem. E tudo bem de verdade. É desmistificar totalmente o ídolo e transformar-se nele, porém, sem que isso seja motivo de divulgação, porque, de novo, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E idolatria não é coisa para se lidar no dia a dia, perde o charme.
Ainda que involuntariamente, aguardamos magnânimas. A sábia natureza já dotou os machos com o equipamento necessário para impressionar. As fêmeas precisam apenas ficar lá, sendo.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Ney
Vou começar lamentando porque nossos grandes artistas têm um acúmulo de anos de vida. Não porque são velhos, porque artista não fica velho, mas porque, pela ordem natural das coisas, são menos anos que temos para aproveitá-los.
Ney tem 72, como ele contou aqui, entre outras coisas, nessa entrevista muito boa em que ele é quem é, como sempre. E é uma das unanimidades nacionais que também faço questão de pegar a estrada, atravessar o rio a nado, pisar na lama, escalar a montanha, para ir ver. Não sei como passei tantos anos da minha vida perdendo a oportunidade de vê-lo ao vivo.
Ney é unanimidade em todos os sentidos. Depois de uma fase sóbria, em que mostrou um lado que nós, que o conhecemos nos tempos de Secos e Molhados, estranhamos, hoje ele está de volta em todo seu esplendor. Mas o esplendor, o carisma vai além do que se vê. Eu tinha que fazer uma obervação além do óbvio de que ele é maravilhoso, sensacional, esplendoroso, blábláblá (tudo verdade).
Em um recinto onde a maioria esmagadora era de mulheres - diga-se, enlouquecidas ao ponto de erguer cartazes declarando amor e pedindo abraços, vi pouquíssimos homossexuais homens - pelo menos nenhum casal, muitos casais hetero, pouca gente abaixo de 30 anos (nem têm ideia do que estão perdendo, perdoai-os senhor, não sabem o que fazem) e - surpresa - muitos, muitos heteros homens. Claro que de olhar não sei com certeza a preferência sexual de ninguém, mas em geral homens acompanhados de mulheres são heteros e alguns outros com determinados comportamentos denunciam a "heterozice".
Mas o que eu quero dizer é: todo mundo sabe há eras geológicas a opção do Ney. No entanto, ele rebola. E aí não importa se você nasceu homem, mulher, se você decidiu optar por uma vida sexual assim ou assado, todo mundo vai à loucura. Obviamente ouve-se mais os gritos das mulheres, primeiro, porque estamos em maioria quase sempre, segundo porque gritamos mais alto, estamos habituadas a ter que fazer isso para sobreviver, então fazemos isso para o prazer também. Mas os homens gritam. Eu fiquei bege. Eles ficam tão ouriçados como nós. E depois saem falando grosso.
Pessoas, Ney é tão, mas tão bom que está acima do medo dos homens hetero de parecerem gays. Isso é que é ser artista.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Odiar, detestar. não gostar
Me peguei odiando coisas esta semana como nunca. Falei inúmeras vezes odeio isso e odeio aquilo. O mau-humor andava calmo, então notei que é uma característica minha essa de odiar coisas e pessoas que nem nunca vi. Comecei com cantores. Em comentários com amiga, odiei o Tim Maia (um chato), a Elis Regina (a exagerada), a Maria Gadu, que se não fosse apadrinhada pelo Caetano (onde estava a cabeça dele?) eu esfregava a cara dela no chão pra ver se a arrogância dispersava, e bem, como em termos de música eu parei nos anos 80 e depois comecei a odiar todo mundo com raras exceções e sobreviventes, os atuais gritadores jovens internacionais dos quais já ouvi o nome e vi a cara, não odeio porque não dá, só consigo rir, de Justin Bieber, aquela que saiu em 13425678 fotos com a língua de fora mas não lembro o nome, aquela negra escandalosamente linda que apanha do marido, etc. Note-se aqui que não há nenhum preconceito, eu odeio pessoas das mais variadas raças, classes sociais, cores, comprimentos de cabelo e de unha, preferência sexual, aliás, note-se que acho que não odeio nenhum gay, porque eles são muito mais fáceis de amar, amigos leais que são. Me recuso a discutir funk e pagode, que não reconheço como música, obrigada.
E as comidas? Camarão? Lagosta? Aquelas patas e olhos? E todo o resto gosmento que sai do mar? Só gosto de peixe. Eu fui uma comedora compulsiva de lixo, coisas gosmentas pingando, óleo grudado no papel, manchas de condimento pingando na roupa, rótulos com índices de gordura obscenos. Daí meu colesterol me obrigou muito a contragosto a adotar uma alimentação mais saudável e eu fiquei mais chata ainda. Ainda bem que disfarço maravilhosamente bem e finjo que como e bebo com outras pessoas. Mas se eu sentir cheiro de maracujá seja lá na forma que for caio dormindo. Odeio cair dormindo quando mais quero prestar atenção em alguma coisa.
Odeio que tentem me fazer de boba. Que desrespeitem meu trabalho. Que me desrespeitem porque sou mulher. Que questionem minhas escolhas. Odeio que me dêem ordens (esse é o pior erro EVER). Odeio fala mansa com um punhal escondido. Odeio mentira, falsidade, sorriso amarelo. Odeio quem se vinga, quem se acha superior, quem só reclama da vida.
Daí que concluí que odiar gasta energia demais. Odiar consome, os odiados não estão nem aó pro nosso ódio, os de longe e os de perto, então tem coisas que detesto.
Detesto com todas as forças política, políticagem, tudo que está relacionado a isso, partidos, corrupção e a palhaçada toda que é o país (odeio palhaços, tenho medo deles). Detesto o que se faz com o nosso dinheiro tão difícil de ganhar e não detesto os que votam errado por ignorância, mas por opção de quererem ser ingênuos e acreditarem que não estão vendo o que está acontecendo. Detesto todos os políticos, com exceção do FHC que é meu ídolo-mor, salve, salve, mas porque não gosto do político, mas admiro o intelectual, então dane-se o mundo, FHC é meu ídolo, não me interessa se fez alguma canalhice enquanto governava.
Detesto às vezes ter que sentar e chorar porque nada mais me resta a fazer, detesto ver pessoas que amo partindo, detesto mimimi exagerado, mas respeito o sofrimento alheio, assim como o meu mesmo. Eu me permito chorar e não detesto isso. O que eu detesto é ter que chorar porque as lágrimas têm vida própria e choram na hora errada e onde não deveriam. Eu detesto que minha filha sofra e detesto muito quem a faça sofrer, eu viro leoa na hora e literal e animalescamente parto pra cima com ódio (aqui é ódio mesmo).
Detesto natal, ano novo, papai noel, páscoa, o calendário gregoriano, todas as comemorações dele que são imposições para que a gente saia do nosso eixo. E funciona muito bem. Detesto comprar presentes em datas determinadas, comparecer a cerimônias, fazer de conta, sorrir e acenar, ser hipócrita porque vivo em sociedade e meus pais me deram educação. Por isso na primeira oportunidade solto meus monstros do porão e deixo que eles andem pela casa, porque assim, quando eles precisam sair (e precisam mesmo) o estrago não é tão grande.
Ocorre que aprendi que não precisamos lutar todas as batalhas, podemos escolher, então quero adotar o "não gosto", que é um tanto libertador e não tira a ênfase de nada, apenas é mais calmo, mais sabedor, mais vivido e mais pronto para mudar as coisas para "gosto".
Não gosto mesmo é de ver as injustiças de todos os quilates que são cometidas em grande e em pequena escala no mundo todo, desde matanças em países do outro lado do oceano até o roubo do pobre velhinho que foi buscar sua aposentadoria e foi enganado na fila do banco. Não gosto de mulheres e gays espancados porque gênero e sexo são coisas sagradas e divinas, não motivo de bandalheiras. Não gosto de crianças famintas morrendo aos magotes a cada minuto e fotógrafos tirando fotos delas. Não gosto da geração que passa a vida dentro da tela do telefone e quando acordar vai ter perdido o melhor dos anos que passamos fazendo amigos para a vida toda. Não gosto de quem diz - os homens são todos iguais, ou - as mulheres são complicadas. Somos únicos, especiais, esses clichês só criam mágoas onde deveria existir sementes de amor. Aliás não gosto de clichês mas uso-os o tempo todo, mas não sei escrever mesmo, então não faz diferença. Não gosto de Paulo Coelho. Ele prestou um desfavor à literatura brasileira e à humanidade como um todo. Não posso conceber como Raul trabalhou com ele. Não gosto de religiões quando elas impõem qualquer coisa, seja arrancar a cabeça de alguém ou pagar o dízimo. Não gosto de frio, eu me encolho e tudo me dói. O céu cinza me deixa não gostando de mais coisas.
O que eu gosto mesmo é de me jogar na vida. Nem sempre eu tenho coragem. Mas quando não consigo não gosto.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Aviso às navegantes
Esta história e diálogo são verídicos e publicados com autorização da protagonista, que a cada dia fica mais catatônica com as coisas que ouve e vê. Moça conhece moço. Tomam café, conversam, moça e moço são muito inteligentes e perspicazes, mas moço está tentando jogar umas bobagen só pra ver como moça reage, e moça se faz de morta, moço acredita que manipulou moça, a uma altura dessas moça quer sair correndo e gritando e praticamente faz isso enquanto moço, assim, no primeiro encontro de uma hora à beira da xícara de café, vestido com camiseta de manga longa no p*** calor de São Paulo, contando o quanto o filho dele de onze anos é praticamente o messias de tão maravilhoso e especial, obviamente, porque nasceu dele, praticamente D'us, de tão maravilhoso, especial, brilhante e - detalhe - lindo, solta o seguinte: eu sou para casar. Sim, ladies and gentlemen, no primeiro café o moço anuncia que está em busca de casamento, a moça então levanta-se e lembra-se que deixou algo no forno, não, não precisa me acompanhar até o carro, mas ele insiste, e nos dias seguintes liga desesperadamente, manda mensagens, sms, recados no skype, whatsapp, posts no facebook, todos os recursos possíveis nas malditas traquitanas tecnológicas que tanto facilitam nossa vida como a desgraçam, e um dia, a moça incauta responde no facebook para dar fim à palhaçada toda, porque ela carrega uma culpa judaica-cristã que a impede de o mandar a lugares impublicáveis. Abaixo o diálogo ipsis litteris, entremeado de comentários meus, totalmente irrelevantes mas que não podem deixar de ser ditos, para esclarecimentos e pitacos.
NOTA: somente os nomes foram trocados por motivos óbvios de poupar as pessoas da vergonha própria e alheia.
NOTA 2: lembramos que não nouve NENHUM tipo de relacionamento, apenas UM café.
ELE: Ola Jane Doe
vc pode falar?
ELA: ola posso sim
ELE: tudo bem com vc?
ELA:tudo bem e voce?
ELE: bem tambem
como andam as
coisas?
ELA: mais ou menos, esta
é uma época muito ruim para o meu trabalho, o que me preocupa um pouco, e com o
calor que tem feito não passo muito bem, tenho pressao muito baixa
ELE: sim, vc disse
tentei algumas
vezes falar com vc, mas vc acabou nao dando retorno
desistiu de sair
novamente?
ELA: parece que sim, eu
não gosto muito de ser "testada" e foi assim que me senti com algumas
coisas que vc disse e algumas manobras que admitiu ter feito para ver como eu
reagiria. desculpe a sinceridade mas sou mesmo muito honesta
ELE: nao entendi
seja clara
manobras????
Nao sei se
desligou, ou caiu a conexão, mas vou ser claro tb
em TODOS os
momentos percebi QUE VC NAO RELAXA, não ri, nao escreve rsrsrsrsrs, enfim
fica armada todo o
tempo e pessoas tensas so conseguem estabelecer relações tensas, ponto final.
Nao combinamos, alias, com quem vc combina? [obs. no. 1: com muuuuuuuuuuuuuuita gente, moço]
errei a digitação de
seu nome [obs. no. 2: sim, ele trocou o nome dela em uma ocasião e disse que errou a digitação; ela por acaso odeia isso, por que será?] e vc se armou e eu ainda em tom de brincadeira e rindo escrevi que
sabia seu nome, lembra? [obs. no. 3: ah que engraçado]
era motivo pra se
armar novamente [obs. no. 4: aparentemente ela é dona de um arsenal de armas]
portanto, quando se
conectar, reflita sobre o que eu escrevi, porque tambem sou objetivo e seguro [autoelogio no. 1 e 2]
tentei, juro,
estabelecer uma conexão com vc, mas é bem complicado
Fique bem.
ELA: foi um problema com
a minha conexao, nao foi proposital
ELE: entendo
sem problemas
lamento nao ter
sido dócil e flexivel
uma pena mesmo,
porque te achei uma pessoa bem interessante, a principio
ELA: não, absolutamente,
voce lamenta que EU nao fui dócil e flexível [obs. no. 5: ela não é mesmo, está mais para trator, mas só quando não gosta da companhia]
mas desculpe, nao
sou assim mesmo
ELE: faltou a conexão [obs. no. 6: a ula altura dessas, ela já não sabia se ele falava da conexão dela que tinha caído e ele tinha ficado puto ou da conexão de almas que não aconteceu mesmo]
ELA: e acho que é isso
que vc procura
ELE: vc sugeriu
manobras? que diabos sé isso? [obs. no. 7: começando a perder a compostura]
ELA: e acho que tem todo
direito
ELE: nao sou ardiloso
é isso O QUE? [obs. no. 8: continuando a perder a compostura]
seja clara
todo o direito A
QUE???? [obs. no. 9: a compostura se esvaindo pelo ralo]
que papo maluco [obs. no. 10: fim total da compostura]
ELA: nao vamos discutir,
nao é preciso, e nao vai levar a nada [obs. no. 11: ela já ta tão de saco cheio mas ainda quer ser educada (culpa judaico-cristã)
ELE: todo o tempo te
procurei e nao entedi NADA
dessa conversa
RELAXE E SEJA FELIZ [obs. no.11: a conversa não tinha terminado?]
ELA: ok entao melhor
termina-la por aqui [obs. no. 12: vide obs. no. 11]
ELE: entao seja clara do
que viu e eu explico, SIMPLES ASSIM
que tal?
achei um absurdo
este comentario
fui gentil [autoelogio no. 3]
educado [autoelogio no. 4]
e tranquilo [autoelogio no. 5]
em NENHUM MOMENTO
vi nada errado em vc, exceto esse jeitinho durinho [obs. no. 13: cadê as dóceis e meigas???]
afff
DEIXA PRA LÁ,,
nao tenho interesse [obs. no. 14: imagina se tivesse, já estaria rolando uma ordem de restrição]
ELA: eu nao disse nada
ao contrario, mas esse é o meu jeito e obviamente vc procura alguem mais docil
ELE: siim,claro [obs. no. 15: vá a uma doceria]
ELA: sim, é isso, vc nao
tem interesse em alguem como eu [obs. no. 16: ou seja, larga do meu pé]
ELE: gostaria de se
relacionar com seu espelho? [obs. no. 17: não, tem outros interessados mais interessantes que o espelho, e ??? que pergunta é essa, pqp???]
seja honesta
ELA: entao ok, nao
precisa se exaltar [obs. no. 18: a conversa não tinha acabado?]
ELE: nao me exalei, eu
exaltado sou bem diferente [obs. no.19: ui que medo]
eu estou muito
satisfeita com o meu jeito de ser
ELE: EXALTEI
certo
TUDO CERTO
vc ficou brava
quando SIMPLESMENTE eu digitei seu nome errado [obs. no. 20: ah sim, o problema todo foi esse]
dai eu saquei [obs. no. 21: sacou o que, cara pálida? não tá parecendo]
vamos encerrar, [obs. no. 22: o que é que ela está dizendo desde o início?]
nao nos leva a nada
ELA: entao pra que essa
discussao
ELE: vc quem foi
incisiva e dura de graça
eu nao sou assim
sou docil, razoavel
sim [autoelogio nos. 6 e 7]
ELA: exatamente o que eu
disse a principio
ELE: e pra se ajustar
uma relação os dois tem de se adapatr
simples assim
uam pena mesmo,
Jane Doe
de verdade, vc
pareceu uma pessoa seria [obs. no. 23: te enganou!!!!]
que valeria a pena
ver de novo [obs. no. 24: isso é novela repetida na globo]
ELA: mas como eu disse,
eu nao sou assim, entao é uma pena, mas nao sou o que vc procura, o que nao
significa que nao seja seria
so nao tenho uma
caracteristica que nao te agrada
ELE: quem disse que vc
nao é seria?
sei que é, nao
misture as coisas
SERIA ATE DEMAIS [obs. no. 25: é pra ser séria ou não?]
ELA: vc disse que eu
"parecia"
ELE: ta vendo, ao pé da
letra
nao quis dizer o
contrario
somos adltos
inteligentes e bonitos [autoelogios nos. 8 e 9 - ops, aqui ela foi incluída]
sem modestia tola [obs no. 26: já se havia notado que isso não existia]
e absolutamente
compativeis, penso eu [obs. no. 27: aparentemente só você; porque ela e a torcida do corinthians, não]
ELA: olha, eu vou
encerrar aqui antes que nos ofendamos sem necessidade. boa sorte para voce, com
certeza é merecedor. [obs. no. 28: pelamor, vamos parar com essa palhaçada]
ELE: seria muito legal
colocarmos as cartas na mesa e fazermos os ajustes, nao sou intolerante [obs. no. 29: QUE ajustes? não há nada pra ajustar foi só UM CAFÉ não um noivado; e autoelogio no. 10]
É UMA PROVA QUE DÁ
PRA DIALOGAR
nao estou e
ofendendo
pare com isso
que bobeira sem
graça
DESCONEXO
sustento meus
argumentos, simples assim, e nao sou vulgar [autoelogio no. 11]
eu ainda te
procurei hoje, tentando conversar e saber o que houve
vc nao aliviou EM
NENHUM MOMENTO
acha que dá pra
conviver assim? [obs. no. 30: conviver como meu??? quem conviveu com quem? e quem quer conviver com você???]
seja sincera com vc
mesma
pra mim, ja nao faz
mais diferença
FIQUE BEM
Fim da conversa no bate-papo [amém.]
1- Onde estão as mulheres que querem se casar, por favor apresentem-se. Porque elas reclamam que eles não querem e eles ficam furiosos quando elas dizem que não querem.
2- Os homens mantêm espelhos em casa? E não só os físicos, mas também os de noção, e isso são perguntas. Mais uma: mulheres, maneirem nos elogios, eu sei que isso pode parecer machista, mas acho que estamos estragando os homens com excesso de elogio, vejam no que dá.
3- Café significa muitas coisas; é o que nos mantém acordadas, o que nos ajuda a trabalhar, o que nos ajuda na ressaca. Tomar café com alguém é um dos maiores prazeres da vida. Mas NÃO é um relacionamento.
4- Culpa is a bitch. Todo mundo precisa aprender a mandar as coisas e as pessoas que incomodam para lugares impublicáveis antes que elas incomodem mais.
5- O cromossomo Y é a desgraça da humanidade em geral, mas precisamos dele para fins reprodutivos e de lazer, por isso ainda não os extinguimos de vez.
6- A observação acima é pura provocação, existem cromossomos Y fofíssimos, maravilhosos, e que fazem a alegria das mulheres. É só saber peneirar.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
De nihilo nihil.
As malas ainda estão largadas, a casa não se limpa sozinha, os livros continuam com as palavras ordenadas na mesma maneira esperando serem decifradas, o mundo continua disponível para o que quer que seja.
Mas eu não quero. Não quero arrumar, nem procurar alguém que limpe. Não quero comer, ler, terminar de assistir o filme que foi interrompido perto do fim. Às vezes precisa-se chegar ao fim do fim para interromper. Ou findar, porque de interromper e retomar chega.
As coisas óbvias gritantes e ululantes em algum momento cessam de ser, porque não há mais razão para tanta clareza, só não vê quem não quer, e em algum momento têm-se que querer, querendo ou não.
Hoje eu declaro o dia fora de mim, não é mais luto porque isso já passou, não é mais lamento porque também já esgotou, não é mais nada, e por nada mais ser, é preciso que se deixe, paradoxalmente, o nada se manifestar.
Apesar de nada, é um nada espalhafatoso. Mas já aprendi a domá-lo e ignorá-lo. E que assim seja e continue sendo, por mais ausente de mim que isso me torne.
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