terça-feira, 20 de julho de 2010



Depois da verborragia (sim, a palavra é horrível, parecem verbos jorrando para todos os lados, mas é isso mesmo, não tem outra) que me acometeu nas semanas anteriores, a semana passada arrumei coisas e mais coisas para fazer (so much fun so little time) que nem consegui mais escrever aqui. Nenhuma perda para a humanidade, obviamente, mas venho rodeando um assunto mas não sabia como falar sobre ele, e eis que hoje um fato me revelou o que era que eu estava pensando mas não sabia como dizer.

Amizades sempre foram um capítulo longo na minha vida. Mantenho amigos há dez, vinte, trinta anos. Ex-alunos, todos os meus médicos, amigos da irmã, do ex-marido, e os meus próprios, claro, conquistei, cultivei e mantive, e não me arrependi.

Mas sempre teve a questão da amizade entre homem e mulher. Quando mais jovem a maioria dos meus amigos eram homens, mas a vida era mais simples e nós éramos mais ingênuos e brincávamos na rua. Com o passar do tempo fui teimosa em não querer acreditar no que diziam, que amizade entre homem e mulher nunca é só amizade. Algumas vezes fiquei mesmo em dúvida, mas agora, com amizades novas e antigas renovadas, e com a maturidade, sei que é possível sim. Tenho um amigo que cultivo há quase vinte anos e que tem sido meu ombro amigo em momentos difíceis, e até trabalhar juntos conseguimos, falamos a mesma língua, pensamos da mesma maneira. Como ele conquistei outros mais recentes. Mas não existem milagres. O que eu descobri é que amigos com benefícios são a solução para esse dilema. Aqueles que sabemos que não serão nem amigos porque esticam o olho para nós, mas também não queremos como namorados. Mas eles são tãaaaao... sei lá. Então amigos com benefícios é muito interessante, conveniente e não é para qualquer um, mesmo porque em geral os homens alegam que não querem dar esperanças para as mulheres, as quais por sua vez fingem que não perceberam que eles é que estão enrolados até o pescoço e os deixam fugir de medo, que é o que acabam fazendo, eventually.

Resolvida essa questão, eu estava lamentando muito ter perdido a fé na amizade entre mulheres. Intriga, inveja, comportamento infantil, puxação de tapete, dedo no olho, engalfinhamento, pelos mais diversos motivos, desde o peso (a mais magra é sempre odiada, no caso, eu), passando pelo trabalho (claro que o meu é o mais fácil do mundo) e chegando ao graal das brigas femininas, sim, os homens. Não vou detalhar nada disso aqui para não ficar coisa de mulherzinha demais, mas enfim, tudo isso tinha me decepcionado muito, porque tenho grandes, antigas e novas amigas de quem gosto muito, com quem conto sempre, mas estou sempre atenta, dormindo com um olho aberto quando se trata de amizade feminina. Lamento muito, muito mesmo, mas não gosto de ser hipócrita. Por outro lado, hoje recebi um recado de uma amiga que mora longe, nos vimos pessoalmente só uma vez, falamos pouco, mas ela me disse que sou importante para ela. A surpresa da espontaneidade me emocionou. E me devolveu a fé.

Enfim, homens ou mulheres, sem amigos fica tudo mais difícil, mais monótono, mais pobre. Os homens talvez precisem aprender que nem todas as mulheres estão com o laço na mão com captura em andamento; e as mulheres talvez precisem deixar um pouco de espaço para a outra brilhar. Mas é por isso que a vida tem graça, é para isso que a gente sai da cama todos os dias.

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